Meu professor de criatividade dizia que não pode existir censura na hora de criar qualquer coisa. Pode ser uma campanha fodona ou texto chinfrim como esse. Depois você separa o que é razoável ou aceitável, conforme aquilo que se pretende fazer ou a quem se quer atingir. De modo que no mundo do “criativismo”, nada é impossível, vergonhoso, amoral ou inaceitável. O lance é tentar sair dos padrões de mentais e/ou de comportamento com os quais estamos acostumados. Ideias que num primeiro momento parecem absurdamente toscas podem ser de grande valia mais pra frente.
Antes que algum espertinho venha gongar a aula de criatividade, vamos deixar claro que o curso não se propõe a ensinar como ser criativo. Criativo todos somos. Uns mais, outros menos. Alguns têm níveis estratosféricos de criatividade, ainda que ela seja usada para fins infames. A proposta lá é aprender técnicas que ajudam a desbloquear o que existe em você. E isso tem muito a ver com suas referências. Quanto mais referências você tiver, mais chances de ser criativo terá. Pelo menos é o que minha lógica conclui, fique a vontade pra discordar. Confesso que no começo achei uma grande bobagem e meio que me arrependi dos três cheques assinados. Mas com o passar das aulas vi que estava errada. O curso é – ou melhor, foi – chocrível (oi?).
Basicamente, as aulas iam desde a invenção de discursos políticos, criação de campanhas com fotos aleatórias, achar uma nova utilidade para algo já conhecido e até mesmo convencer seus coleguinhas de classe que você é Deus. O que mais gostei foram as esculturas em massinha. Professor disse: “faça uma coisa que represente a verdade” e eu fiz um cocô de massinha, já que a verdade não deixa de ser uma merda, se você parar pra pensar. Não é sempre que estamos dispostos a ter verdades na nossa vida e a ignorância muitas vezes é uma benção.
Mas de tudo que eu aprendi no curso, o que mais me chamou a atenção foi o Professor dizer que o cérebro se acostuma com a preguiça. Taí uma verdade. Quanto menos a gente cria, menos a gente quer criar. Que nem escrever. Porque nesses tempos de twitter, dá preguiça de pensar em algo além de 140 caracteres. Pelo menos algo minimamente interessantzzzZZZzzz… Eu tenho preguiça. Muita. Principalmente de escrever sobre as “polêmicas” do dia a dia. Quando se tem acesso a um mundo de opiniões – por mais toscas que elas sejam e a maioria é – fica um gosto de que tudo já foi dito e nada tenho a acrescentar. Mesmo discordando da maioria. É que aqui minha preguiça inclui gente. Gente me dá sono. Não todo mundo, mas quase todo mundo. As pessoas têm uma opinião sobre algo e dificilmente mudam, mesmo percebendo que estão erradas. Daí ficam lá, punhetando aquela merda. Vejo muito isso nas internerds. Vejo muita coisa na internet que me dá preguiça. Que nem essa milésima caipirinha de abacaxi que eu tô tomando. Ela me dá preguiça. Preguiça de terminar esse post.


