9 09UTC Julho 09UTC 2009

Sobre gringos, franjas e trakinas

Eu acho que gringos vem pro Brasil e compram trakinas e pensam “uau, que incrível!” e nem é porque eles não tenham bolachas muito mais legais, com caras de hello kitty ou batman, ou sorvetes de cabeça de Mickey Mouse, todos super bem desenhados e tal. É pela tosqueira da coisa mesmo. Eu passei em frente a uma banca e vi um cartaz – escrito a mão em uma folha sulfite – dizendo TRAKINAS SÓ R$ 1,20 e então eu pensei num gringo parado na banca e lendo aquilo de “trãkainaz” com certa curiosidade porque afinal só custa meio dolar e uma vez que você está em um país desconhecido como o Brasil, é sempre bom experimentar de tudo. Pensei nisso pois um pouco antes de ver o cartaz das trakinas eu vi uns livrinhos pequenos naqueles estandes de livro de bancas e neles estava escrito JAPONÊS, ALEMÃO, FRANCÊS e daí cheguei a conclusão de que eram dicionários de português para estrangeiros, desses de emergência, que você compra quando já perguntou uma dúzia de vezes onde era o metrô, mas nenhum filha da puta te entendeu ou fingiu que não entendeu. Enfim, eu vi esses pequenos dicionários e pensei no gringo desesperado parando na banca comprando um  pra finalmente conseguir pedir uma cerveja no bar e logo depois vi o cartaz das trakinas e tive a impressão de que o gringo compraria as trakinas e pensaria “uau, que incrível! Eles têm bolochas com monstrinhos”.

Depois de ter essa conclusão brilhante sobre dicionários, gringos e trakinas, eu passei pela pracinha dos cachorros (porque todo mundo leva seus cães lá pra brincar, mas eu nunca levo a punky porque ela é antissocial e ataca os coleguinhas) e vi um casalzinho se comendo, uma turminha de adolescentes fumando maconha e um oriental solitário com aquela vibe suicida que os orientais solitários têm. Fiquei feliz por não fazer parte de nenhum daqueles nichos humanos e aí cheguei em casa.

E antes de tudo isso, passei no salão e  cortei o cabelo. Fiz uma franja que fica entrando no olho e dá uma ar de mistério na minha cara de bolacha – de trakinas pra ser específica – e o Júlio disse que ficou tipo uma-louca-uma-deusa-uma-feiticeira- meu-deus-ela-é-demais. Claro que ele só disse depois que eu disse que tinha cortado o cabelo. Eu só queria que ele dissesse que eu fiquei mais magra, mas enfim. O que esperar de alguém que está no meio de um jogo no vídeo game?

2 02UTC Julho 02UTC 2009

Constatações óbvias, porém tardias

Eu deveria ter estudado mais e festejado menos. Well, too late.

30 30UTC Junho 30UTC 2009

Meu pai era amigo do primo do Michael Jackson

Eu tinha essa história na cabeça como uma das mais engraçadas da vida, daquelas que são repetidas em todo almoço de domingo com a família e nunca era menos hilária. Cada vez que ela se repetia, todos choravam de  rir. Mas os almoços de família não acontecem há um bom tempo e eu acho que eu fiquei com o causo do primo do MJ durante muitos anos na cabeça, achando ele sensacional. E quando o rei do pop deu com o rabo na cerca, pensei que era o perfect moment pra compartilhá-la com o mundo.

Daí liguei pra minha mãe pra relembrar os detalhes da vez em que o meu pai não só conheceu o primo do Michael, como também meio que hospedou ele em casa, mas conforme ela ia contando, percebi que havia super valorizado a parada durante todos esses anos. Nem é uma história incrível na verdade, mas já que eu disse que ia fazer três homenagens ao Michael, voilá.

Meu pai era radialista. Começou a colecionar discos aos cinco anos de idade e eu contabilizei 60 mil LPs quando ele morreu. Suas músicas preferidas sempre foram as dos artistas da Motown. Naquela época as coisas demoravam pra chegar aqui e como ele tinha um pouco mais de acesso do que o resto dos mortais, acabava conhecendo as coisas antes. Foi assim que ele pirou primeiro no Jacksons 5 e depois no próprio MJ.  Eu sempre gosto de contar que meu papito lançou vários artistas no Brasil. Ouvia uma música e sabia se ela seria sucesso ou não. Ele era excepcional nesse quesito e poderia ter ganhado muito dinheiro, não fosse a sua ingenuidade quase infantil. Não consigo imaginar qual seria a opinião do meu pai sobre MJ se ele – meu pai, não o Michael – estivesse vivo. Teria perdido o encanto? Acharia ele weirdo just like the rest? Não sei e esse post não é sobre isso.

Como radialista, ele vivia nas gravadoras. Acho que na época em que meu pai e o primo do Michael ficaram próximos, ele era diretor da extinta Odeon Records. Numa dessas idas à gravadora, conheceu um gringo tão aficcionado em música quanto ele. Conversa vai, conversa vem, um beck aqui, outro ali, surpresa: o gringo era primo do Michael Jackson. E mais surpresa: o primo do Michael Jackson estava hospedado no Casa Grande Hotel, no Guarujá, porém sem carro de modo que meu pai, muito solícito, lhe ofereceu uma carona. E foi nas curvas da estrada de Santos que eles descobriram infinitas afinidades musicais. Fim da viagem, despediram-se na balsa – porque né, o primo do Michael Jackson se hospeda no Casa Grande Hotel e atravessa pro Guarujá de barquinha – e combinaram de se encontrar no dia seguinte.

E no dia seguinte bem cedo toca a campainha. Lá estava o primo do MJ na porta de casa pro café da manhã. Daria meu mindinho pra ter visto a expressão de felicidade do meu pai diante da chance única de tomar café da manhã com o primo do Michael Jackson – seu grande ídolo vale lembrar – na sua própria casa. Daria o outro mindinho pra ver a expressão de “fodeu” na cara da minha mãe diante do fato. Porque o primo do MJ ficou o dia inteiro por lá, com direito a almoço e janta. E voltou no dia seguinte. E no outro e no outro e assim foi durante uma semana. Todos os dias ele chegava bem cedo e só ia embora de noite.

Onde meu pai ia, levava o primo do Michael Jackson junto. Foram a gravadoras, foram em rádios e foram em festas. Estavam tão íntimos que o primo do MJ já tomava banho em casa e usava roupas do meu pai emprestadas. Geral desconfiava que o cara era loroteiro, mas meu pai não. Onde já se viu duvidar do primo do Michael? Que heresia, pô!

Num belo dia, minha mãe foi pra rádio e levou o primo do Michael Jackson junto. E uma vez que ela andava de saco cheio de dar pensão completa pro figura, resolveu fazer umas perguntas básicas pra ele. Então seguiu-se esse diálogo:

Mãe pergunta: Como se fala nariz em inglês?

Primo do MJ responde: Nãrrrrrizzzz…

Mãe pergunta: E orelha, como se diz orelha em inglês?

Primo do MJ responde: Ourrrrreilia…

Mãe pergunta: Você não é americano porra nenhuma, né?

Primo do Mj se fode.

Fodido e sem green card saída, o primo do Michael Jackson confessou que não era primo do Michael Jackson. Que sequer era americano (ah vá!). Descobriram que ele era um drogadito vindo de Cajamar expulso de casa pela família. Que tinha recebido abrigo numa igreja, mas como roubou o padre, fora expulso também. E todas as noites, quando ele ia embora da casa dos meus pais depois do jantar, dormia num banco em frente ao Casa Grande Hotel.

E foi assim que a amizade do meu pai com o primo do Michael Jackson acabou. Quando soube da verdade, só disse um “puxa, que pena”. Afinal, que diferença fazia? O cara era legal, não era?  Folgado, mas não era meu pai quem cozinhava.  Como se nada tivesse acontecido (oi?), voltou pro seu quarto, continuou ouvindo suas músicas, lançando seus sucessos, fumando seu baseadinho e enfim. Taí um cara que era feliz.

*****
Ok, essa não é uma homenagem pro Michael Jackson. Em que momento desse post o rei do pop se sentiria homenageado, não sei. Sei que esse era meu pai. Vai saber se agora ele não está acertando contas com o próprio MJ…

27 27UTC Junho 27UTC 2009

Iarnouôôôôuuuu…

Daí que eu ainda estou *cof* chocada com a perda do rei do pop e tive que postar esse vídeo quase premonitório. Explico. Na terça feira da semana anterior à morte dele, eu e meus miguxos estávamos num karaokê qualquer. Depois de muitas doses performances supimpas, geral se animou a fazer um We are the World, afinal todos cantam maravilhosamente bem como vocês podem perceber. E se esse vídeo não é uma premonição, um aviso dos céus, uma mãe dinah cover, não sei o que é. Achei sinistro. E eu acho que nós deveríamos excursionar pelo Brasil fazendo essa singela homenagen ao MJ. Vai que essa é aquela ideia blockbuster que me deixará rica com pouco esforço, né? Se isso não acontecer, certeza que ao menos a gente consegue fazer ele se revirar no caixão a ponto de rolar um thriller.  Mas enfim, essa é a minha segunda de três homenagens que farei a ele. No último capítulo da trilogia, contarei sobre a vez em que o primo do Michael Jackson ficou hospedado na minha casa. Acreditem ou não, isso aconteceu lá no final da década de 70.

A seguir, cenas.

26 26UTC Junho 26UTC 2009

R.I.P. Michael Jackson

moonwalker

25 25UTC Junho 25UTC 2009

Today your blog, tomorrow your tumblr

Esse blog anda meio que às traças faz tempo e provavelmente deve continuar assim. Não sei até quando nem se pra sempre, mas desde que eu descobri  jesus o Tumblr, minha vida mudou. São tantas fotos legais, que perder tempo pra escrever as merdas (heh) que eu escrevo aqui não faz muito sentido. Até porque minha vontade de escrever é proporcional à minha depressão, e depressão não tem feito parte da minha vida ultimamente. Que puxa, heim? Sinto muito se você adora ver os outros na merda (heh),  mas nesse momento nãovou poder te ajudar. Sem contar que é bem mais fácil reblogar coisas no tumblr. Sério, se você não conhece, check it out. E se resolver abrir uma conta, me add ok?

No mais, notícias do casamento. Não o meu, mas aquele que eu estava organizando. Lembram? Foi um sucesso. Tirando a parte em que eu estava cansada para caraleos, bêbada para caraleos e não me diverti pra caraleos, foi incrível. Não percam o Júlio celebrando o casamento vestido Elvis. Tá tudo aqui. Alicinha que se cuide. Tô entrando no ramo de eventos. Beijos!

20 20UTC Junho 20UTC 2009

Pausa pro post bizarro

Nada a ver falar sobre isso, mas eu tive hoje umas das situações mais deseperadoras que um ser humano pode passar nessa vida e tiposki eu preciso compratilhar. Acontece que eu acordei no meio da madrugada e não consegui dormir mais. Lá pelas seis horas resolvi levantar. Coloquei o café na cafeteira e enquanto ele passava, me senti meio culpada por todos os sushis e sakês da noite de ontem, de modo que eu resolvi tomar um laxante. Tá, eu sei que isso é coisa de adolescente obcecado por magreza e que segue receitas mirabolantes, mas eu tenho idade mental inferior a doze, portanto, uma atitude dessas vinda de mim é bastante compreensível.

Fui trabalhar bonitinho, tudo certo, tudo tranquilo. Saí na hora do almoço pra ir até o cartório. Veja, nunca na história dos laxantes eles fizeram efeito em menos de oito horas. Tenho vasto conhecimento no assunto, acredite. O máximo que poderia acontecer seria um piriri no fim da tarde. Nada preocupante, afinal. Minha sorte – aquela mesma que eu nunca tenho, mas hoje ela não poderia ter vindo em melhor hora – foi que eu estava quase do lado de casa. Só que quase do lado não é do lado, se é que você me entende. E puta merda, era uma e quinze da tarde e todas as peruas escolares e mães madames estavam no meu caminho por causa da saída do colégio que fica na rua de cima. Tente captar meu desespero dentro do carro parado, no meio de milhares de carros. Pra piorar a situação, eu me lembrei de um amigo que certa vez passou por um perrengue semelhante e teve que voltar pra casa em situação precária. Minha mente retardada não poderia ter pensado em nada mais animador. Juro que eu quase vomitei de agonia.

Pouparei você, nobre leitor, dos detalhes sórdidos que envolveram a coisa toda, mas te digo que nunca na história dos portões automáticos um portão automático de edifício demorou tanto pra abrir. E nunca um elevador foi tão lento até o quarto andar. E eu nunca, jamais, entrei em casa sem fazer uma festinha pra minha cachorra. Nunca, até a tarde de hoje.

O final é que eu tive meu happy end. Sinto muito decepcioná-los e até consigo visualizar a tristeza na carinha (de cu?) de cada um de vocês por eu não ter me cagado toda. Concordo que seria um fim mais engraçado, menos pra mim. Exceto que… Lembra que mencionei antes algo sobre nunca ter sorte?

- Alfredoooooooooooooooooacabouopapel.

17 17UTC Junho 17UTC 2009

Em breve…

… aqui terá um post com mais de um parágrafo, sem foto, sem glamour, sem graça e mal escrito.

Agradecemos a preferência, beijos!

14 14UTC Junho 14UTC 2009

Sunday Secrets

5 05UTC Junho 05UTC 2009

Ai Senhor e agora?

Passei a semana cotando bem casados, bolo com pasta americana, aluguel de mesas, salgadinho, churrasco, decoração, buffet, sistemas de luz e som high-tech, fogueiras de mentirinha, litros de álcool, padre e… Não, não vou casar. Quem vai casar é Gabi. Aliás, Gabi casou. Não que antes de assinar formalmente os papéis de sua união estável com o Eric eles já não fossem casados – na acepção mais ampla e moderna que essa instituição falida familiar possa ter hoje em dia. Aconteceu assim: certa tarde, estava eu procrastinando trabalhando lindamente quando ela solta no twitter um #prontocasei. Assim, sem mais nem menos. Geral se comoveu e deu parabéns, falou “ai que lindo”, “boa sorte”, “eric se fode aí” aquela coisa pela saco e tal que todo mundo faz. É assim que o mundo é e é assim que as pessoas são, de modo que isso não é uma crítica, senão uma constatação bastante óbvia do modus agendi do ser humano diante da felicidade de alguém querido. Me incluo no bolo, afinal, que espécie de gente eu sou que não fica feliz pelas pessoas que gosta?

Mas na minha ingenuidade alcoólatra de ser, procurando motivo pra encher a cara numa tarde com os amigos, lancei uma idéia qualquer sobre um churrasco no fim de semana pra comemorar o romantismo todo que envolve a assinatura de um contrato. Não me leve a mal, mas quando sua profissão consiste em redigir papéis para os outros assinarem, um contrato de união estável nada mais é do que um contrato, um calhamaço de papel em 3 vias com firma reconhecida. Pois é, eu sou da espécie de gente que fica feliz pelas pessoas que gosta, mas perdi a sensibilidade pra certas coisas. De fato, eu devo ser uma pessoa horrível.

O problema é que a idéia do suposto churrasco pegou e de repente eu estava envolvida na organização da festa de casamento de Dona Gabriela Bianco. Oi, eu falava de um churras (odeio a palavra churras) pra meia dúzia de sem vida. Em que momento isso se tornou um casamento de verdade, não me lembro. Daí que aqui estou, cuidando de um casório surpresa* com toda a empolgação do mundo e ao mesmo tempo  implorando pra que tudo seja uma pegadinha do Mallandro e eu realmente não precise garantir a diversão de 70 pessoas num sábado ou domingo de junho. Nem passar meu feriado enfurnada na 25 de Março. Ambiguidade é meu sobrenome e meu primeiro nome nem é muito diferente disso.

*Não é bem uma surpresa. Todos sabem que vai ter festa, os noivos sabem que vai ter festa, mas ninguém sabe bem o que vai ser. Nem eu sei direito o que vai ser. A única certeza é que tudo será feito com amor, afeto e sazon esmero. E que, depois dessa, Gabriela me deverá tortas de limão pelo resto da vida.