16/11/2009

Oi, não tô podendo.

Meu professor de criatividade dizia que não pode existir censura na hora de criar qualquer coisa. Pode ser uma campanha fodona ou texto chinfrim como esse. Depois você separa o que é razoável ou aceitável, conforme aquilo que se pretende fazer ou a quem se quer atingir. De modo que no mundo do “criativismo”, nada é impossível, vergonhoso, amoral ou inaceitável.  O lance é tentar sair dos padrões de mentais e/ou de comportamento com os quais estamos acostumados. Ideias que num primeiro momento parecem absurdamente toscas podem ser de grande valia mais pra frente.

Antes que algum espertinho venha gongar a aula de criatividade, vamos deixar claro que o curso não se propõe a ensinar como ser criativo. Criativo todos somos. Uns mais, outros menos. Alguns têm níveis estratosféricos de criatividade, ainda que ela seja usada para fins infames. A proposta lá é aprender técnicas que ajudam a desbloquear o que existe em você. E isso tem muito a ver com suas referências. Quanto mais referências você tiver, mais chances de ser criativo terá. Pelo menos é o que minha lógica conclui, fique a vontade pra discordar. Confesso que no começo achei uma grande bobagem e meio que me arrependi dos três cheques assinados. Mas com o passar das aulas vi que estava errada. O curso é – ou melhor, foi – chocrível (oi?).

Basicamente, as aulas iam desde a invenção de discursos políticos, criação de campanhas com fotos aleatórias, achar uma nova utilidade para algo já conhecido   e até mesmo convencer seus coleguinhas de classe que você é Deus. O que mais gostei foram as esculturas em massinha.  Professor disse: “faça uma coisa que represente a verdade” e eu fiz um cocô de massinha, já que a verdade não deixa de ser uma merda, se você parar pra pensar. Não é sempre que estamos dispostos a ter verdades na nossa vida e a ignorância muitas vezes é uma benção.

Mas de tudo que eu aprendi no curso, o que mais me chamou a atenção foi o Professor dizer que o cérebro se acostuma com a preguiça. Taí uma verdade. Quanto menos a gente cria, menos a gente quer criar. Que nem escrever. Porque nesses tempos de twitter, dá preguiça de pensar em algo além de 140 caracteres. Pelo menos algo minimamente interessantzzzZZZzzz… Eu tenho preguiça. Muita. Principalmente de escrever sobre as “polêmicas” do dia a dia.  Quando se tem acesso a um mundo de opiniões – por mais toscas que elas sejam e a maioria é – fica um gosto de que tudo já foi dito e nada tenho a acrescentar. Mesmo discordando da maioria. É que aqui minha preguiça inclui gente. Gente me dá sono. Não todo mundo, mas quase todo mundo.  As pessoas têm uma opinião sobre algo e dificilmente mudam, mesmo percebendo que estão erradas. Daí ficam lá, punhetando aquela merda. Vejo muito isso nas internerds. Vejo muita coisa na internet que me dá preguiça. Que nem essa milésima caipirinha de abacaxi que eu tô tomando. Ela me dá preguiça. Preguiça de terminar esse post.

10/11/2009

Receita sabor infância

Acho muito engraçado as pessoas não conhecerem alcachofra. Quer dizer, hoje em dia até conhecem aqueles fundinhos que vêm em conserva, sinônimo de culinária chique e cara – que pra mim não dizem nem metade do sabor que a alcachofra comprada na feira e feita em casa tem. Fui acostumada a ter essa iguaria na mesa desde criança. Não sempre, mas sempre que dava. Era quase um ritual os almoços em família, onde todos despedaçavam suas folhinhas uma a uma, até chegar na carninha suculenta como se fosse um prêmio.

Eu estou falando de alcachofras porque fui à xepa feira domingo e consegui quatro lindos exemplares por R$ 5,00. Fazia um bom tempo que não comia e aproveitei a ocasião. Bem, não posso negar uma certa influência da Lilhá, que andou falando de alcachofra esses dias. Além de escrever e fotografar sobre comidas aleatórias, ela também indica o nível de flatulência que pode ser gerado pós degustação – o que é de grande valia especialmente em início de namoro. Se você não quer peidar na cara do amado logo no primeiro mês, sugiro que faça uma consulta no blog dela antes de sair pr’aquele jantar romântico.

Com as alcachofras em mão, ontem foi dia de jantá-las. Usei uma receita bem simples que eu peguei lá no mixirica e é super fácil de fazer. Vamos a ela:

-04 alcachofras lindas

- 03 tomates maduros lindos

- Uma cebola picadinha

-3 dentes de alho picadinhos

- Sal, pimenta do reino e azeite a gosto.

Modo de fazer: Bata as alcachofras de cabeça pra baixo na pia de modo que as folhas se abram. Corte os talos e as deixe de molho numa bacia com suco de limão ou vinagre. Enquanto elas descansam, pegue os talos e retire a parte fibrosa (dentro tem um filetinho de carne, acredite!). Coloque os tomates em água fervente por alguns segundos, retire a pele e as sementes e pique. Misture a cebola, os tomates, a carninha retirada dos talos, sal pimenta e o azeite. Essa mistura deve ser colocada entre as folhas das alcachofras. Feito isso, coloque-as em uma panela com água suficiente pra cobrir o fundo e deixe no fogo até que as folhas se soltem sem dificuldade.

Pronto, temos alcachofras pro jantar. Se não podemos resgatar os tempos dos almoços em família, pelo menos dá pra se lambuzar com essa receita enquanto assistimos o Maneco transformar a bela Aline Morais em cadeirante. Mas se você estiver na pilha de fazer comida de verdade, com poucos recursos e uma facilidade incrível, corre lá no Sem Medida que a Tia Larissa te ensina.

04/11/2009

#Reflitão

Outro dia eu tava assistindo aquele programa Happy Hour do GNT e o tema tinha a ver com o “se enganar”. Entre as muitas questões, foi levantada aquela clássica sobre nós, mulheres, acharmos que vamos conseguir mudar o cara não importa o quão vagabundo, maconheiro, porco, relaxado, cafona, etc etc etc ele seja. Sem generalizar, mas pelo menos uma vez na vida já pensamos ser a solução de todos os problemas deles.  O que, obviamente, não funcionou. Por outro lado, eles acham que nós nunca vamos mudar. Quando o cara te assume – seja num namoro, num casamento, numa união estável ou qualquer outra forma de associação – ele faz isso por que te quer exatamente como você é.  Aí ficamos naquelas: mulheres acham que vão mudar o cara e o cara acha que mulheres não mudam jamais.  Quando nenhuma coisa nem outra acontece, sobra frustração pra geral.  Longe de mim querer cagar regras sobre relacionamentos ou fazer a Marta Suplicy aqui, mas duvido que alguém discorde disso. Em termos gerais é claro, pois toda regra tem sua exceção blá, blá, blá.

De modo que voltei naquela velha máxima sobre expectativas serem a pior coisa da vida. Clichê sim, mentira jamais. Em todas as áreas da sua vida, criar expectativas é uma merda. Veja esse meu exemplo recente. Tava na maior crença de que seria chamada pra trabalhar num lugar muito legal, que nada a tinha a ver com escritórios de advocacia, scarpins ou abotoaduras. Até sonhei com o emprego e meu primeiro dia de trabalho. Tava feliz, confiante, alto astral e a porra toda que manda o figurino. Aí vem aquele email devastador e nada te resta a não ser recolher os cacos e dar adeus ao que poderia ser o melhor trabalho da sua vida. Fiquei triste, me achei a última das criaturas e mimimi. E pra quê? O que adiantou? Porra nenhuma. E olha, se eu não sou a pessoa mais acostumada a tomar belos “nãos” em matéria de emprego, não sei quem é. Até Jesus que era um cara que podia ficar só na pregação tinha emprego.

Enfim, expectativas não te curto e não entendo por que ainda as tenho. Na próxima vez, lembrarei de enfiá-las em algum lugar mais quente. E o primeiro parágrafo nada tem a ver com o segundo, caso ninguém tenha notado. O que eu queria mesmo era só exercitar o rancor.

Obrigada por ouvir, refletir e um beijo no coração. <3

 

30/10/2009

Learn something everyday

- Palmeiras tá jogando com quem?

- Esse jogo não é mais do palmeiras, é Fluminense e Atlético.

- Atlético Mineiro ou Paranaense?

- Atlético é sempre o Mineiro.

- E o Paranaense é o quê?

- Atlético Paranaense.

- Ah!

¬¬

24/10/2009

Do fundo do coração

“A noite é princesa caída por mim. No lago do peito, secreta solidão. Eu lembro lugares, pessoas que frequentei. Cenas que vi, filmes que eu já filmei. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Eu canto donas de castelo, não sou louco, louco não. Eu brinco de polichinelo como um bobo coração. Mil e um palácios de areia, noites de sereias. E eu ouço o som de uma nota só. Eu sou marinheiro, navego com a lua. Meu mar é rua amar só você. No movimento exato do olho do lince, um raio de laser na selva do olhar. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração. Apareça qualquer hora agora embora no meu coração.”

***

Gang 90, do fundo do meu coração.

15/10/2009

Querido bloguxo,

Esse mês você completa quatro anos. Ou será que foi no mês passado? Não tenho certeza, bem sabes que minha cabeça é ruim. Certeza mesmo só a de que você é o relacionamento mais longo e fiel que tive na vida. Acredito que as coisas só deram certo porque não existem cobranças nem expectativas entre nós. Nunca esperei nada de você, nem você de mim. Tem épocas em que nos falamos todos os dias e em outras ficamos em silêncio por um longo período. Como esse agora. Acredita que faz mais de um mês que não nos vemos? Certamente essa foi nossa maior separação desde aquela noite solitária em que nos conhecemos na mesa de jantar. Eu com vinho, você com as páginas em branco pronto pra me ouvir chorar. Confesso que não senti muita saudades de você nos últimos dias. Será que você sentiu de mim?  O caso é que estou naquela fase de auto preservação, você me entende. Me garanto na cumplicidade que existe  entre nós e por isso mesmo eu te respeito. Mas não se preocupe, eu deixei uns posts guardados na memória pra te contar quando tudo estiver no seu devido lugar. E eu juro que não demora.

Com amor,

Seu alter ego.

30/09/2009

Estou bimbando

Andam dizendo que os blogs vão acabar, que o twitter está sendo orkutizado (nhé), que o Tumblr ficou chato, que a internerds vai ser censurada, blá blá blá. Nada disso me importa se eu puder continuar Bimbando. Não, não se trata disso que acabou de passar nessa sua mente imunda. Estou falando de Miss Bimbo, o jogo mais politicamente incorreto da galáxia.  Não sabe o que é isso? Péra que a tia explica.

Jogar Miss Bimbo é vida, literalmente. Os objetivos – tais quais o mundo moderno consumista em que vivemos  – são os mais cruéis possíveis: você tem que ser bem sucedida, magra, linda, rica e cheia de atitude; arranjar um namorado que te dê dinheiro (oi, prostituição?), ter uma casa grande e comprar roupas incríveis pra vencer nos desafios e duelos fashion contra outras Bimbos.  Além disso, Miss Bimbo precisa comer. E da mesma forma que acontece com a gente, ela fica feliz quando lhe dão refrigerante e bife com batatas fritas, chocolate ou sorvete, mas fica triste quando tem que comer legumes, sendo que no primeiro caso ela engorda e no segundo mantem o corpinho modelete.

E Bimbo tem fases. Você começa pobrinha e vai galgando os degraus da fama conforme cumpra as tarefas que o jogo te propõe. E aí começa o problema. Acontece que praticamente tudo ali exige dinheiro. Por exemplo, em certa fase você tem que colocar silicone e isso te custa, sei lá, cinco mil bimbo dólares (haha, adoooouro bimbo dólar). Você até consegue uma graninha se arrumar um namorado rico, tiver um emprego ou se der bem nos jogos (pois é, você pode ganhar dinheiro jogando, é quase uma Las Vegas), mas não é suficiente para ser a Top Bimbo dos sonhos e ser aceita na comunidade, de modo que se você levar o jogo à sério vai colocar dinheiro de verdade ali. A única coisa grátis é a biblioteca. Você pode ir lá quantas vezes quiser e aumentar o seu QI e ser mais inteligente do que as outras Bimbos. Se isso te dá popularidade? Claro que não, veja a ironia. Eu disse que o jogo é a vida como ela é e não estava mentindo.

Provavelmente você está pensando “puta que pariu, que coisa fútil” e eu discordo. Considerando que crianças jogam Miss Bimbo, não vejo forma melhor delas se prepararem pra vida adulta. Ali você aprende desde cedo como as coisas funcionam no mundo real, como se fosse um treinamento, um modo de se acostumar com o que te espera nos anos vindouros. Crescer, estudar, trabalhar, namorar, terminar namoros, querer coisas que não podemos comprar. Ficar triste, comer, engordar, deprimir. Então procurar análise (Miss Bimbo tem um psiquiatra à disposição) e superar traumas com a ajuda do terapeuta. Aí entramos na academia, recuperamos a auto estima, vamos na discoteca com as amigues, arrumamos outro namorado e procuramos um emprego melhor, pintamos o cabelo, mudamos o corte, tentamos ser mais bonitas que as outras mulheres e etc etc etc. Percebem a semelhança?

Eu só não entendo bem a parte onde o cara te dá dinheiro. Porque nenhum cara nunca me deu dinheiro. Mas também nunca fui puta profissionalmente, talvez seja isso. Não estou dizendo que Miss Bimbo é promíscua. O fato é que ela precisa ascender socialmente, sendo o bom e velho golpe do baú um modo bastante eficaz. E menos do imoral que roubar as outras Bimbos. No fundo, não é nada mais do que mais do mesmo.

****
Acho desnecessário dizer que estou viciada em Miss Bimbo. Quem me segue no twitter sabe que eu vivo falando dela. E sim, eu já usei o cartão de crédito pra ter mais roupas, mais móveis e comprar um flat em Londres. Deveria ter vergonha de admitir isso publicamente, mas não tenho.  Eu acredito que a culpa é do ócio e que isso passa. Mas se você quiser tentar jogar, me add aqui. Você estará ajudando minha Bimbo a ganhar 500 Bimbo dólares. É ou não é uma boa causa?

22/09/2009

She

She glows around you like the moon
She smiles at her reflection in a spoon
She reads expensive magazines
She sees herself in everything
You can´t judge her for that
She knows where her head is at
She´s tangled up in you
She´s laced up in your shoe
She ´s got a ladder to the sky
She´s got a mad look in her eye
You can´t judge her for that
She knows where her head is at
She moves in simple curves
She speaks in simple words
and it´s simple to be in love with her
You can´t judge her for that
She knows where her head is at
You call her home
and you want to move in
but a house in not a home

and a home is not a house
when theres not enough room for you

15/09/2009

Dirty Dancing não curto

Patrick Swayze se foi e na memória ficam seus memoráveis filmes que arrebataram corações de toda uma geração. Tá, eu não conheço a filmografia inteira do cara e provavelmente nem vi todos os seus filmes, mas tem um em especial que marcou a minha vida de uma forma bastante relevante -pra não dizer terrível – e esse filme é Dirty Dancing. Eu sei que todo mundo adora a dancinha, a música e a chata Baby, mas eu não compartilho desse mesmo sentimento. Se pudesse escolher, Dirty Dancing nem teria existido.

O ano era 1988 se não me engano. Eu estava completando 12 anos e minha festa de aniversário seria no salão do condomínio onde eu morava, que era bem grande e com muitas crianças, de modo que tinha vários amiguinhos. Eu era uma pré adolescente bastante saudável, sem traumas ou coisas semelhantes. Andava de bicicleta com a mesma desenvoltura que falava em público, coisa que até então não tinha sido um problema. E eu adorava fazer festas de aniversário porque era o meu dia, aquele em que todas as atenções eram voltadas pra mim.  Sem contar que era a única época do ano em que eu podia escolher uma roupa nova sem a ingerência da minha mãe e isso significava ter muita independência. Nada nem ninguém poderia me contrariar no dia do meu aniversário. Nada, até os 12 anos.

Acontece que o maldito Dirty Dancing tinha sido lançado no ano anterior e a moda entre as minhas amigas era tentar imitar a coreografia. Então que na minha festa de aniversário nós fizemos uma competição para eleger quem melhor imitava a Baby no filme. Não sei bem porquê acabou só eu e a Aninha competindo. Ela era mais nova, uma ruivinha com sardas – bastante engraçadinha, devo admitir – e fazia ballet na mesma academia que eu. Aninha era ótima na tal coreografia, mas eu também arriscava bem nas piruetas. A competição seria acirrada. Lembro de ter vacilado um pouco antes de começar a dançar por conta da destreza de Aninha. Só me tranquilizei quando lembrei que aquela era a minha festinha  e, sendo assim, nada iria me contrariar ou me tirar do centro das atenções, muito menos a Aninha.  Na minha cabeça eu achava que seria muita ousadia se os meus convidados não me aclamassem vencedora. E como perder estava fora de cogitação, respirei fundo e me posicionei na pista.

Som na caixa, Aninha e eu nos pusemos a bailar. Rodopiávamos cabeça, tronco e membros de modo virtuoso. Tinha uma parte em que a gente agachava e aí levantava rapidinho jogando a cabeça pra trás, deixando os cabelos fluírem que nem nas propagandas de xampú. Confesso que lá pela metade da música eu já estava toda atrapalhada, mas não parei de dançar. Ainda que eu soubesse ser a dona da vitória, não queria ser desleal e ganhar sem competir até o fim, por isso continuei fazendo meus passinhos e dando meus rodopios, mesmo que meio capenga. Aqui faço uma observação. Apesar de fazer ballet, eu odiava aquilo de sapatilha e rede de cabelo. Fazia porque mamãe achava lindo ir ao Municipal no final do ano me assistir. E eu sempre dava vexames loucos, como por exemplo parar no meio da cena e dar um tchauzinho pra algum conhecido que eu avistava sem querer na platéia ou correr para a coxia pela esquerda enquanto todas as outras meninas corriam para a direita. Eu não era boa na dança, verdade seja dita. Mas voltemos à fatídica competição. Fim da música, um segundo de silêncio e aí vieram as palmas.

A avalanche de vozes gritando “Aninha, tum tum tum; Aninha, tum tum tum” caiu sobre mim como a maior derrota que a vida poderia me dar. Todos os meus convidados estavam ali, formando um meio círculo ao nosso redor e aplaudindo a idiota da Aninha em uníssono. E isso no dia do meu aniversário! Aquele era o dia especial em que o mundo girava em torno do meu umbigo e de mais ninguém, eu havia sido derrotada. Lembro da fúria invadindo meu pequeno peito e da vergonha avermelhando minhas bochechas.

Não quis saber do fim. Não queria consolo de ninguém, nem abraços, nem justificativas. Tudo o que eu queria era sumir. E foi o que eu fiz. Saí correndo pelo prédio e me escondi atrás de um carro. Ouvia as pessoas me procurando, chamando pelo meu nome, mas não respondia e não voltei mais pra festa. Nem sei se tive parabéns naquele ano. Fiquei ali por horas, amargando a vitória da Aninha no dia do meu aniversário, até que a fome falou mais alto do que minha vergonha e eu voltei pra casa. Ninguém nunca mais tocou no assunto.

E assim Dirty Dancing cagou minha adolescência. Foi naquele único segundo de silêncio entre o fim da coreografia e o início da aclamação popular pela vencedora que eu perdi pra sempre minha habilidade de lidar com o público e agir naturalmente diante de mais três pessoas, me tornando essa pessoa tímida e amarga que vocês conhecem. Desde aquele dia, não entrei mais em nenhuma espécie de competição, nem nos jogos do colégio. Aposentei pra sempre as sapatilhas  (o que foi um alívio, pra ser bem sincera) e não voltei a dançar. Também não vi mais o filme. Qualquer referência a ele me dava arrepio na espinha. Passei a abominá-lo mais que demais e até hoje tenho pra mim que se trata de um filme super valorizado com uma coreografia medíocre. Patrick Swayze (que deus o tenha) só voltou a ter algum sentido em Ghost.

Se esse não é o maior trauma que uma criança pode ter na vida, não sei qual é. Até hoje eu acordo vez em quando suando no meio da noite, ouvindo as vozes que gritavam contra mim o nome de Aninha, a ruiva. Eu sinceramente espero que Dirty Dancing seja enterrado junto com Patrick. E ai de quem inventar de fazer um remake dessa merda.

10/09/2009

Na pista pra negócio

Olá, saudoso leitor! Faz tempo, né? Curtiu o feriadão? Rolou na areia e ficou louco? Bebeu todas com a galere? Acordou com clara de ovo na bunda? E pasta de dente na cara? Deu carrinho no Má? Considerarei o seu feriado feliz se você responder pelo menos um sim para as perguntas anteriores.

Fiquei devendo uma história triste, mas não vou falar muito sobre isso. Nem foi tão triste assim. Melhor achar que quando nós não temos coragem para virar a mesa sozinhos, o mundo se encarrega de virá-la por nós. Tudo bem que agora a mesa está de pernas pro ar e eu só tenho o resto desse mês pra encontrar um canto novo pra ela. O grande lance nisso de virar a vida 360 graus era o dinheiro. Eu poderia ter chutado tudo antes de ser chutada, mas é difícil se desapegar do seu conforto mínimo. Nunca ganhei horrores, só que dava pra viver bonitinho, entende? E trocar o certo pelo incerto é bastante complicado. Você pensa nas coisas que terá que abdicar e aí parece surgir um fôlego do além pra aturar mais alguns meses aquilo que há muito se tornou insuportável.

Claro que rolou um desconforto e até um sentimento de culpa. Eu poderia ter feito mais? Poderia ter me dedicado mais? Pode ser. Só que ao invés de concordar com quem disse que eu não servia pra função, prefiro pensar que a função não servia pra mim. Mil vezes falei e repito: até hoje não sei o que aconteceu para eu ter insistido tanto tempo numa coisa que deveras me desagrada. Então exerço aqui meu Pollyana way of life e assumo que alguém fez por mim o que talvez eu não tivesse coragem de fazer.

Não vou cuspir muito no prato que eu como porque é lógico que se nada mais der certo eu vou ter que voltar pro detestável mundo jurídico. É que as contas vencem, os anos passam e é melhor fazer qualquer coisa do que não fazer nada. Mas enquanto eu puder escolher, vou optar pela mudança radical mesmo. Nem que eu tenha que viver de miojo, doses de pinga e da caridade alheia por um tempo. A única coisa que me recuso aceitar é a derrota ou o sentimento derrotista. Eu mantenho o que disse no começo do ano, que 2009 seria um ano bom demais. Ainda faltam três meses pro seu fim e eu não quero perder as esperanças.

A única coisa que me deixou realmente puta nisso tudo foi que eu estava quieta no meu canto, sabe. Por mais que eu reclamasse infinitos do Coxinha Inc. e do Coxa Boss, era meu ganha pão e ninguém me tirava de lá tão cedo. Aí veio o Dr. Boa Pessoa me foder a vida com seus olhos azuis e sua voz de carneirinho. Ele me chamou pra trabalhar no escritório dele, eu não fui lá pedir arrego. E sabia muito bem quais eram minhas qualificações, o que poderia ou não fazer. E pra quê? Pra me dar um pé na bunda três meses depois. Pro inferno com a bondade dele. E sabe que escrevendo isso me bateu uma vontade louca de contar sim detalhes da história triste – que nem é tão triste – porque pensando bem ela beira o surreal e é preciso partilhar algumas merdas com alguém, sendo que esse alguém é você, escasso leitor.

Mas enfim, vou deixá-la pra outro dia. Estou economizando no assunto Beijoepegameucv!