16 16UTC Junho 16UTC 2008...3:22 AM

Minha racionalidade é uma prostituta

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Foi essa minha racionalidade puta, vendida por migalhas de sentimentos confusos e atropelados, que fez eu ser um nada perto de tudo. Tudo que eu não tenho, tudo que não sei se quero ter de verdade. Seria bom se a gente pudesse dispor de uma borracha gigante pra apagar palavras pontuais cuspidas na hora errada – outras tantas verbalizadas em sequência desordenada – ao invés de nos entupirmos de açúcar aos domingos, tentando tapar um buraco que nunca terá uma tampa a altura. Faço questão de esquecer que não sentir culpa é a melhor coisa que se possa sentir. Porque eu preciso começar a sentir culpa pelas coisas que eu ando sentindo.

Assim observo, inerte, meus cacos se transformando em montanhas de vidro enquanto eu, carrasco da minha própria morte, fico só esperando que meus pés comecem a sangrar de verdade.

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