24 24UTC Junho 24UTC 2008...1:23 AM

O cliente.

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Eu sei que nem faz dois meses que eu tenho essa vida feliz de pessoa empregada que ganha algum pouco dinheiro pra pagar as contas. Eu sei, não deveria reclamar, já que passei tanto tempo reclamando porque não tinha emprego. Mas é que nós, seresumanos, precisamos reclamar de alguma coisa, então estou aqui pra cumprir esse papel, o qual me cai muito bem, aliás.

O problema não se trata do simples fato de ter que ir trabalhar. Todo mundo sabe que a desprezível vida adulta vai chegar e essa doutrinação começa bem cedo. A menos que você seja o Rico Mansur – ou aquele outro socialite feiosos que pega várias gostosas, cujo nome me esqueci no momento -, sabemos ser inexorável o momento em que teremos que nos foder de segunda à sexta em horário comercial (ou não). E eu gosto de trabalhar, juro. É legal ficar brincando no excel, descer no meio da tarde pra fumar/fofocar com as coleguinhas, fazer happy hour na sexta e dançar o créu em cima da cadeira do boteco fedorento da Sergipe interagir sobre o ambiente de trabalho. Essas coisas são legais de verdade. O que não é legal nisso tudo é o puto do cliente. Queira ter um chefe tarado, queira trabalhar de madrugada, queira andar de salto alto nas calçadas esburacadas da sua cidade e correr o risco de quebrar o tornozelo, mas JAMAIS queira ter um cliente. Por que o cliente minha gente, o cliente sempre tem razão e o cliente invariavelmente é uó. Mesmo que você seja uma pessoa dedicada e organizada, mesmo que você até sinta um certo orgulho em saber que sim, você é capaz de prestar um serviço com qualidade, o cliente vai encontrar um modo de enfiar (mais) uma big coke no meio do seu rabicó e você não vai poder fazer exceto sorrir. Acreditem amiguinhos, o cliente pode ser muito dolorido te levar à esquizofrenia bem precocemente.

Sem contar que o cliente consegue minar todas aquelas coisas que você sempre gostou muito de fazer. Escrever, ler, baixar música/filmes, editar fotos toscamente no photoshop, cozinhar. Ando sem saco pra tudo isso. A única coisa que eu consigo fazer com algum afinco ainda é sonhar que eu chego em casa e a janta tá na mesa e que depois disso alguém vai massagear meus pés até eu roncar. Tá, é mentira, eu também ainda consigo sair pra beber, mas isso é meio óbvio. Ninguém que tenha que aturar o cliente o dia inteiro consegue não beber. Beber é o requisito número 1 para que se possa continuar atendendo o cliente com toda algum tipo de educação.

Mas eu nem vou falar mal do meu cliente aqui porque eu sou meio irresponsável e tal, mas prezo o óculos Vintage leeeeendo que eu comprei no camelô a merreca que o cliente me paga todo mês. Só queria mesmo reclamar um pouco e exercer meu ódio eterno a todos os cliente do mundo, exceto a mim mesma enquanto cliente de lojas, supermercados, padarias e afins, pois sou uma cliente bem boazinha. E de vez em quando até simpática.

No mais, agradeço ao querido leitor que conseguiu aturar todos esses parágrafos e chegou até aqui. Sei que ando um pé no saco, mas a culpa é do meu cliente. Qualquer problema, liguem pra ele. Agora me dêem licença que eu preciso dormir. Amanhã tenho uma reunião que começa antes das nove e só termina depois das duas da tarde.

Com o cliente, claro.

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