2 02UTC Julho 02UTC 2008...3:48 AM

It´s so hard to find a feeling that was buried long ago

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Esse post deveria listar 33 músicas para serem ouvidas na hora do “amorzinho” (amorzinho, fazer amor, sei lá, detesto essas expressões fofinhas usadas pelas pessoas quando tudo que elas querem é fazer referência a uma foda bem dada), mas nem vai rolar. Tendo eu saído da chibata às nove e meia da noite – depois de ter passado a manhã inteira com o cliente – tudo que eu não quero é pensar, ainda que pensar signifique escolher músicas apropriadas para fodas bem dadas.

E a culpa dessa vez não é só do cliente, admito. Mas também não é minha. A culpa, nesse caso, é do meu ex colega de baia, aquele que era advogado sênior e que, de sênior, só mesmo as cagadas que ele deixou pra eu arrumar agora. E ainda tem muita merda pra ser limpada, de modo que essa semana será um lerê-lerê infinito na minha vida, a qual não anda muito mais interessante do que um monte de merda. De qualquer modo, queria escrever alguma coisa. Por isso bebo a segunda Devassa (congelada) da noite, comprada por poucos reais e com alguma esperança de conseguir ser um pouco mais interessante do que cliente, merda e ex colega de baia.

Esses dias eu andei pensando naquela história da menina que tinha as sobrancelhas bem feitas, mas insistia em ter as sobrancelhas mais desgrenhadas desse mundo. Não por que sua vontade fosse a de ser fora dos padrões de sobrancelhas desenhadas – há muito a menina tinha desistido de querer ser rebelde ou ir contra às imposições de qualquer coisa, pois descobriu que ser conforme os padrões a fazia exatamente fora dos padrões, se é que alguém entende uma coisa assim. Não era, então, um querer ser diferente por causa das sobrancelhas desgrenhadas que tanto pensava em ter pra si. Era outra coisa. Talvez ela só estivesse à procura daquela sensação dos tempos em que a vida parecia terminar no segundo seguinte se ela não tivesse aquilo que queria na hora em que queria. Tempos mais ansiosos, tempos mais imaturos. Mas, no fundo, nem a menina das sobrancelhas desenhadas sabia traduzir agora o que era aquela vontade constante de ter sobrancelhas grossas e bagunçadas pra ela, custasse o que custasse.

Era mais ou menos sobre essa história que eu queria falar e foi por isso eu troquei algumas horas de sono por duas cervejas Devassa, compradas, como disse, com pouco dinheiro e alguma esperança de ser interessante, após um longo dia chato. Não consegui, como vocês podem notar.

And if time runs short, would I recognize the things I couldn´t see?

5 Comentários

  • então vai sem trilha sonora mesmo. revigora igualzinho, incrível!

    pois o(a) cabeçudo(a) é da minha irmã. olha que eu coloquei a foto mais bonita porque aquelas em 4D são medonhas!

    dias melhores pra nós.

  • Eu queria ter sobrancelhas grossas e desgrenhadas.

    Nasci quase sem. É a vida, o sistema, o stablishment, o american way.

    Vai lá limpar as merdas, depois escreve sobre a senioridade delas. Tá tudo bem.

  • Cara, eu ODEIO tirar a sobrancelha. É mto ruim. É o cúmulo da tortura imposta às mulheres pela sociedade machista!!!
    (esse blog comunista me influenciou. Malditos comunas!)
    bjones

  • Pelo menos vocês não ficam carecas. Até criança tira sarro de careca…

  • lingerie e sapatos, é assim que eu externalizo o meu (agora interno) ballet da rebeldia, desde que ter opinião contrária virou ser infantil. E agora tenho que trabalhar para sustentar meu gosto por sapatos coloridos e lingerie. è uma cobra mordendo o próprio rabo, essa porra. Ah, tá, falo palavrão tb, bastante. e não paga, esse caralho.

    Cinderela com tourettes, sou eu.


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