Faz tempo, eu sei. Ando cansada. Desde que minha casa virou a “Portelinha” nos últimos quatro finais de semana; desde que eu tenho terminado as noites sendo literalmente varrida para fora do boteco fedorento; desde que eu me sito culpada por sentir e não sentir culpa. Desde tudo isso então. Deveria falar sobre alguma coisa que represente, senão o meu cansaço, ao menos como eu tenho me sentido nos últimos tempos, que não é nem bem nem mal, apenas morna, chata e sem graça. Um pouco apática também. Andei perdendo coisas. Perdi a visita dela, perdi uma viagem pro Rio pra comemorar o aniversário dela, perdi meu anel favorito em alguma bebedeira. Mas mais que isso, perdi a chance de ficar calada quando podia e devia.
Algumas coisas eu ganhei, confesso. Um curso de madrinha na igreja durante uma tarde inteira de sábado, por exemplo. Não é bem o tipo de coisa que me anime, mas agora inês é morta. Já sou madrinha da menina, mesmo sabendo que não sou e jamais serei uma boa madrinha. Porque sou ausente a maior parte do tempo. Tenho tentado me convencer de que, apesar da minha ausência quase sempre voluntária e bastante consciente, sou uma pessoa boa. Tento enfiar goela abaixo que sou boa, legal e interessada nas coisas que me cercam. Plantas, livros, discos, amigos. Não incluo aqui meu cachorro porque ele sim me interessa. Não sei como vivi tanto tempo sem ele e não sei como a vida será no dia em que ele se for. Mas deixemos o pensamento mórbido de lado por enquanto, porquanto que não é disso que isso se trata. Aliás, isso não se trata de nada, concluo agora. Acho que é só um exercício, pra não perder a prática. Pensar e escrever um textinho chinfrim que faça sentido ou não. Nem quero saber de sentidos, vamos dizer. Já perdi os meus tantas vezes que nem conta mais faço. Nunca fui boa em matemática, que fique pra lá as somas.
E ganhei um aumento. Quer dizer, ganhei um salário um pouco menos indigno. Penso se existe alguma relação entre a nossa dignidade real e a dignidade daquilo que se ganha a título de salário, mas acho que não tem a ver. O melhor é parar de pensar. Vou abrir uma cerveja, resto do final de semana de casa cheia. Portelinha, eu disse antes e reafirmo aqui. Preciso ter sono e cerveja às vezes ajuda. Ando cansada demais para dormir. E quando durmo, não sonho, mas tenho pesadelos, daqueles que acontecem rápido e te fazem acordar sentindo medo. Pode ser medo de sonhar. Medo inconsciente. Aqui eu acho que tem a ver, mas não vou pensar muito.
Estou cansada demais para pensar.



10 Comentários
20/08/2008 às 5:20 AM
Todos merecem uma segunda chance!
Lamberemos o chão juntas hehe
20/08/2008 às 5:18 PM
Pô, bóra descansar então, sumida!
21/08/2008 às 12:06 AM
putz… eu li!
também cansei de tentar ser cool ou cult. ou cuzona mesmo.
em dezembro vou ganhar uma sobrinha chamada isabela. dias melhores virão pra mim, desejo o mesmo pra ti!
um beijo.
21/08/2008 às 2:54 PM
Também quero um aumento de salário, todo esse caos por falta de grana e com pilhas de coisas a serem pagas, todos os meses, têm me fatigado. E eu quero evitar a fadiga.
Amanha quero me permitir beber umas 4 (a mais) enquanto, comemoro um anos a menos de vida. Aff
Não nos abandone, baby!!
Eu li.
by trOiAnA22
22/08/2008 às 9:43 PM
Tudo passa.
23/08/2008 às 2:52 AM
Cansada demais para dormir? Essa é nova para mim. Quanta coisa. Quanto pensamento. Parece estar num turbilhão de idéias…
Até mais.
Denis
23/08/2008 às 12:20 PM
Farei curso de madrinha hoje e lembrei imediatamente de vc.
Semana q vem vamos se ver?
25/08/2008 às 6:56 PM
A vida é mesmo complicada!
Mas acredito que o segredo pra ser feliz e tacar o foda-se e viver.
Gostei do seu blog: Me identifique, por isso linkei ok?
bjU
;*
NAT
28/08/2008 às 12:59 AM
Estava eu navegando no google “pra pensar” e eis que acho seu blog. Me identifiquei muito com seus textos. Voltarei.
Ps: Eu também li. E agora?
28/08/2008 às 3:05 AM
Eu li. Talvez porque eu também esteja cansada demais para dormir.