20 20UTC Agosto 20UTC 2008...3:18 AM

Pra ninguém ler

Ir aos comentários

Faz tempo, eu sei. Ando cansada. Desde que minha casa virou a “Portelinha” nos últimos quatro finais de semana; desde que eu tenho terminado as noites sendo literalmente varrida para fora do boteco fedorento; desde que eu me sito culpada por sentir e não sentir culpa. Desde tudo isso então. Deveria falar sobre alguma coisa que represente, senão o meu cansaço, ao menos como eu tenho me sentido nos últimos tempos, que não é nem bem nem mal, apenas morna, chata e sem graça. Um pouco apática também. Andei perdendo coisas. Perdi a visita dela, perdi uma viagem pro Rio pra comemorar o aniversário dela, perdi meu anel favorito em alguma bebedeira. Mas mais que isso, perdi a chance de ficar calada quando podia e devia.

Algumas coisas eu ganhei, confesso. Um curso de madrinha na igreja durante uma tarde inteira de sábado, por exemplo. Não é bem o tipo de coisa que me anime, mas agora inês é morta. Já sou madrinha da menina, mesmo sabendo que não sou e jamais serei uma boa madrinha. Porque sou ausente a maior parte do tempo. Tenho tentado me convencer de que, apesar da minha ausência quase sempre voluntária e bastante consciente, sou uma pessoa boa. Tento enfiar goela abaixo que sou boa, legal e interessada nas coisas que me cercam. Plantas, livros, discos, amigos. Não incluo aqui meu cachorro porque ele sim me interessa. Não sei como vivi tanto tempo sem ele e não sei como a vida será no dia em que ele se for. Mas deixemos o pensamento mórbido de lado por enquanto, porquanto que não é disso que isso se trata. Aliás, isso não se trata de nada, concluo agora. Acho que é só um exercício, pra não perder a prática. Pensar e escrever um textinho chinfrim que faça sentido ou não. Nem quero saber de sentidos, vamos dizer. Já perdi os meus tantas vezes que nem conta mais faço. Nunca fui boa em matemática, que fique pra lá as somas.

E ganhei um aumento. Quer dizer, ganhei um salário um pouco menos indigno. Penso se existe alguma relação entre a nossa dignidade real e a dignidade daquilo que se ganha a título de salário, mas acho que não tem a ver. O melhor é parar de pensar. Vou abrir uma cerveja, resto do final de semana de casa cheia. Portelinha, eu disse antes e reafirmo aqui. Preciso ter sono e cerveja às vezes ajuda. Ando cansada demais para dormir. E quando durmo, não sonho, mas tenho pesadelos, daqueles que acontecem rápido e te fazem acordar sentindo medo. Pode ser medo de sonhar. Medo inconsciente. Aqui eu acho que tem a ver, mas não vou pensar muito.

Estou cansada demais para pensar.

10 Comentários


Deixe um comentário